Rio de Janeiro / RJ - domingo, 21 de janeiro de 2018

OBESIDADE - UMA MUDANÇA DE UMA VIDA

(Leia com cuidado, consulte o seu médico. Estas informações necessitam de um profissional para serem interpretadas)

 


 O QUE É OBESIDADE?


A obesidade é uma doença que afeta indivíduos de forma física, psíquica e social, podendo ser causada por múltiplos fatores como doenças endocrinológicas e psiquiátricas, genética, ausência ou diminuição da atividade física, comportamento alimentar inadequado, além dos fatores emocionais. As condições médicas que podem levar à obesidade são responsáveis por menos de 2% dos casos de obesidade.

Noventa e cinco por cento das pessoas tornam-se obesas por dois motivos: ou porque comem exageradamente e/ou porque gastam poucas calorias, mesmo que algumas insistam em dizer que não comem quase nada.

A prevalência da obesidade está aumentando em todo o mundo, tanto nos países desenvolvidos como naqueles em desenvolvimento. Estamos assistindo a chamada “transição nutricional”, que consiste na redução dos índices de desnutrição e aumento da obesidade. As condições associadas à obesidade, como doenças cardiovasculares, diabetes, dislipidemia, hipertensão, alguns tipos de tumores como o câncer de cólon, reto e próstata em homens obesos e de câncer de mama, vesícula e endométrio em mulheres obesas, também estão aumentando. A obesidade ainda predispõe a doenças como colelitíase (“pedras na vesícula”), osteoartrite, osteoartrose, esteatose hepática, apnéia obstrutiva do sono, alterações dos ciclos menstruais e redução da fertilidade.

Todas estas situações podem ser melhoradas com o emagrecimento. Uma redução de 5% a 10% no seu peso corpóreo é uma medida efetiva ao combate das condições mórbidas que aumentam o risco cardiovascular. Basta você decidir se quer ou não mudar os seus hábitos.



 

Como saber se você é obeso?

O índice de massa corporal, também conhecido como IMC, é a medida mais usada na prática para saber se você é considerado obeso ou não. Ele é calculado dividindo o peso corporal em quilogramas pelo quadrado da altura em metros. A partir do resultado deste cálculo, basta olhar a tabela abaixo e saber a zona de risco em que você se encontra.


Legenda recomendada pela Organização Mundial de Saúde 

IMC (Kg /m 2)

Definição 

Risco de Comorbidade 

< 18.5  Baixo peso   
18.6 a 24.9  Normal   
25 a 29  Pré-obeso  Aumentado 
30 a 34.9  Obesidade Classe 1  Moderado 
35 a 39.9  Obesidade Classe 2
Grave 
> 40  Obesidade Classe 3
Muito Grave 
     
 

  

INDICAÇÃO DE TRATAMENTO CIRÚRGICO DA OBESIDADE GRAVE


 

O tratamento cirúrgico da obesidade surgiu na década de 50 e com o passar dos anos as técnicas foram sendo aperfeiçoadas. Quanto melhores os resultados, maior sua divulgação e aceitação, tanto no meio médico como entre os pacientes (que muitas vezes se organizam em associações de auto-ajuda).

Por outro lado, a cirurgia passou a ser vista por muitos obesos como uma solução mágica, capaz de resolver todos os seus problemas. O que não é uma verdade absoluta.

Tem sido freqüente o cirurgião ser procurado por pacientes com sobrepeso ou graus moderados de obesidade, em busca de alívio para suas dificuldades existenciais. Como não se dispõe de operações ideais sem inconvenientes e riscos, nesses casos a aplicação de qualquer procedimento cirúrgico é descabida.

Tornou-se necessária, portanto, a elaboração de diretrizes para a indicação correta de cirurgia no tratamento da obesidade, de forma a não se deixar de operar aqueles que dela necessitam, mas, por outro lado, não se cometer o exagero de submeter a riscos e inconvenientes os que não têm razões médicas graves para isso.

Nos Estados Unidos da América, elaboraram-se consensos sobre a gravidade da obesidade e os critérios de aplicação de seu tratamento cirúrgico, referendados pela Federação Internacional para a Cirurgia da Obesidade (IFSO) e também pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica (SBCB), que são:

 

  • Grau acentuado de obesidade

  • Resistência ao tratamento clínico

  • Presença de doenças associadas

  • Risco cirúrgico aceitável

  • Capacidade do paciente de compreender as implicações da operação

No Brasil, o Ministério da Saúde, a partir de 1999, reconheceu o tratamento cirúrgico para obesidade e estabeleceu os seguintes critérios para a sua indicação.

  • Obesidade de duração superior a dois anos, IMC > 40, e resistente aos tratamentos conservadores (dieta, medicamentos, exercícios e psicoterapia)

  • Obesos com IMC > 35, portadores de doenças associadas (diabetes, HAS, apnéia do sono, artropatias, hérnia de disco, e que tenham sua situação clínica agravada pela obesidade.