Rio de Janeiro / RJ - sexta-feira, 20 de julho de 2018

APENDICITE AGUDA

 

Introdução

Apendicite é a inflamação do apêndice, um pequeno órgão com o formato parecido com o dedo indicador, de aproximadamente 10 cm., localizado abaixo e no lado direito do intestino grosso. O apêndice apresenta um canal (luz) em seu interior que se comunica com o intestino, contendo fezes ainda em fase líquida. A função do apêndice não é conhecida, apesar de haver uma grande concentração de tecido especializado na defesa imunológica em sua parede principalmente na vida intra útero. Normalmente ele dá problemas por causa de uma obstrução do sistema digestivo. Se não for tratado, o apêndice infectado pode romper-se e espalhar a infecção pela cavidade abdominal e para a corrente sangüínea.


A apendicite afeta uma em cada 400 pessoas no mundo todo a cada ano. O risco de apendicite aumenta com a idade, e o pico de incidência fica entre os 15 e 30 anos de idade. A apendicite é a principal causa de cirurgia abdominal em crianças. Quatro em cada 1.000 crianças precisam ter seus apêndices removidos antes dos 14 anos de idade.


O quadro clínico de apendicite inclui:

o        Dor abdominal que normalmente começa de forma difusa, no meio do abdome (ao redor do umbigo) e que com o tempo (horas) desloca-se para a parte inferior direita,

o        Febre baixa,

o        Náuseas,

o        Vômitos,

o        Distensão abdominal,

o        Dor quando o lado direito do abdome é tocado,

o        Mudança no padrão intestinal,

o        Incapacidade de eliminar gases.

O quadro clínico descrito acima ocorre em aproximadamente 40% dos casos. Nos casos restantes, ele pode ter variações que confundem e retardam o diagnóstico.

Se a pessoa tiver sintomas de apendicite, ela não deve tomar laxantes para aliviar a constipação intestinal, pois estes remédios aumentam a chance do apêndice supurar (estourar). Além disso, deve-se evitar remédios para aliviar a dor antes de ser avaliado por um cirurgião geral, porque estes medicamentos podem mascarar os sintomas de apendicite e podem tornar o diagnóstico difícil.

O médico irá revisar sua história clínica, perguntando sobre os sintomas digestivos habituais e os atuais, incluindo detalhes sobre as últimas evacuações: duração, freqüência, características (diarréicas ou duras), e se as fezes têm sangue ou muco.

Ele fará um exame físico detalhado e irá apalpar a parte mais baixa, à direita de seu abdome. Se o paciente for criança, o médico irá se certificar se a criança segura sua mão quando ele tocar o local onde dói. Em uma criança, os quadris dobrados (joelhos flexionados para cima) e o abdome tenso podem ser pistas importantes no diagnóstico.

Depois do exame físico, o médico solicitará um Hemograma Completo (exame de sangue) para checar sinais de infecção e um EAS para descartar uma infecção urinária. Ele pode solicitar um exame de Ultra-som ou uma Tomografia Computadorizada de abdome (a TC) para ajudar no diagnóstico, porém o diagnóstico de apendicite em geral não precisa destes exames. Em crianças muito jovens, uma Radiografia de Tórax pode ser necessária para afastar o diagnóstico de pneumonia.

Não há nenhum modo de se prevenir a Apendicite.

Na apendicite aguda, o tratamento padrão é a cirurgia para remover o apêndice. A cirurgia, chamada apendicectomia, deve ser feita o mais cedo possível para reduzir o risco do apêndice romper-se. Normalmente, se a apendicite é fortemente suspeitada, o cirurgião indicará a remoção do apêndice até mesmo se o ultra-som ou a tomografia não puderem confirmar o diagnóstico. A recomendação do cirurgião para operar reflete o perigo de uma apendicite supurada, pois ela pode ser ameaçadora à vida, enquanto a apendicectomia não complicada é um procedimento relativamente de pouco risco.

A cirurgia pode ser feita de modo convencional (através de uma incisão no lado inferior direito do abdome) ou por vídeo-laparoscopia (através de pequenas incisões no abdome), conforme a indicação do cirurgião.


Os pacientes normalmente recebem uma dose de antibiótico endovenoso (em uma veia) pouco antes da cirurgia e o antibiótico é continuado até o dia seguinte à cirurgia. Se o apêndice supurou, o paciente precisará tomar antibióticos por alguns dias.

Para evitar o risco de uma apendicite supurada, deve-se procurar um pronto socorro imediatamente para ser avaliado por um cirurgião geral se a pessoa tiver sintomas de apendicite. A apendicite é uma emergência, e requer atenção imediata.

A maioria dos pacientes procurará o pronto socorro dentro de 12 a 48 horas por causa da dor abdominal. Em casos muito raros, um baixo nível de inflamação pode persistir por vários dias antes do diagnóstico ser feito, especialmente em pacientes diabéticos,imunossuprimidos (pessoas com resistência imune baixa) e idosos.

Os pacientes que se submetem à cirurgia freqüentemente ficam no hospital durante dois ou três dias (se o apêndice não supurou). As pessoas que se submeteram a uma apendicectomia normalmente se recuperam completamente.

Em casos de apendicite supurada, a permanência no hospital é normalmente mais prolongada. Embora seja raro, uma pessoa pode morrer de apendicite se o apêndice supurou e espalhou a infecção para o abdome e para o sangue.

 

Cirurgia

A cirurgia pode ser realizada pelo método convencional ou laparoscópico.